O Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, é uma oportunidade de conscientização sobre o papel das empresas na construção de um futuro mais sustentável.
Iris Zimmer, sócia da área de Direito Ambiental da SiqueiraCastro, fala sobre os temas que mais impactam o cenário empresarial e a posição estratégica do Direito na transição econômica.
Quais temas ambientais são mais relevantes no nosso cenário atual?
Os temas mais relevantes estão relacionados às mudanças climáticas, à transição para uma economia de baixo carbono, à gestão de resíduos e à economia circular, além da segurança hídrica e da proteção da biodiversidade.
No contexto empresarial, vemos uma crescente demanda por modelos produtivos mais sustentáveis, que promovam a redução de emissões, o uso eficiente de recursos naturais e a valorização de resíduos como insumos produtivos. A integração entre sustentabilidade e estratégia de negócios ganhou força, com investidores, consumidores e reguladores exigindo cada vez mais transparência e resultados concretos.
Como você avalia a evolução do Direito Ambiental no âmbito empresarial?
O Direito Ambiental deixou de ser visto apenas como um instrumento de controle e conformidade regulatória para assumir um papel estratégico dentro das organizações. Hoje, a gestão de riscos ambientais está diretamente relacionada à competitividade, à atração de investimentos, ao acesso a mercados e à reputação corporativa.
Questões ligadas ao licenciamento ambiental, mudanças climáticas, recursos hídricos, resíduos, biodiversidade e ESG passaram a integrar decisões de investimento, operações de fusões e aquisições e planejamentos de expansão empresarial. O Direito Ambiental tem desempenhado uma função cada vez mais preventiva — auxiliando empresas a identificar riscos, antecipar tendências regulatórias e desenvolver soluções que conciliem crescimento econômico, inovação e sustentabilidade.
Na sua opinião, quais tendências devem ganhar mais destaque nos próximos anos?
A agenda climática deverá ocupar posição central. A implementação do mercado regulado de carbono no Brasil, a mensuração e gestão das emissões de gases de efeito estufa e a incorporação dos riscos climáticos à governança corporativa tendem a ganhar protagonismo.
Também devemos observar avanços importantes na economia circular, com maior valorização da logística reversa, da reciclagem e do reaproveitamento de materiais. A transparência e a rastreabilidade das informações ambientais serão cada vez mais exigidas por investidores, instituições financeiras e cadeias globais de fornecimento.
Outro desafio importante será garantir segurança jurídica para viabilizar investimentos em infraestrutura sustentável, energias renováveis, saneamento e soluções voltadas à descarbonização da economia.
Como o Pacto Global da ONU e associações correlatas influenciam a atuação das empresas?
Iniciativas como o Pacto Global da ONU têm desempenhado papel fundamental na disseminação de boas práticas e na aceleração da agenda de sustentabilidade corporativa. Ao estabelecer princípios alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, o Pacto Global contribui para que as empresas incorporem questões ambientais, sociais e de governança de forma estruturada e integrada à estratégia do negócio.
A participação do escritório nessas iniciativas fortalece a cultura de responsabilidade corporativa e contribui para que as organizações avancem de uma postura meramente reativa para uma atuação cada vez mais proativa, transparente e comprometida com a geração de valor sustentável no longo prazo.
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