Confira dicas de filmes, séries e livros sobre o universo LGBTQIA+

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Para esta sexta-feira, preparamos um conteúdo ideal para aproveitar o fim de semana: séries, filmes e livros sobre o universo LGBTQIA+. Claro que se trata apenas de uma lista, existem dezenas de outras obras que poderiam estar aqui. Então, encare isto como um convite para explorar essas diversas expressões de arte, que buscam trazer à sociedade uma maior compreensão e aceitação do assunto.

Filmes

Milk – A Voz da Igualdade (Milk, 2008) conta a história real de Harvey Milk, primeiro gay assumido a alcançar, em 1977, um cargo público de importância nos Estados Unidos. Mais de 40 anos após sua morte, o político e ativista é tido como um símbolo da luta pelos direitos dos homossexuais. A direção é de Gus Van Sant, de Gênio Indomável. O filme teve oito indicações ao Oscar 2009, entre elas a de melhor filme, diretor, roteiro adaptado e ator, para Sean Penn.

A Garota Dinamarquesa (The Danish Girl, 2015) é a cinebiografia de Lili Elbe, que nasceu Einar Mogens Wegener e foi a primeira pessoa a se submeter a uma cirurgia de mudança de gênero. O filme narra a sua emocionante trajetória, sua descoberta como mulher e seu casamento com a também pintora Gerda Wegener. Destaque à atuação de Alicia Vikander (Gerda), que recebeu diversos prêmios, entre eles, o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante em 2016.

Garota Dinamarquesa. Fonte: divulgação

Priscilla, a rainha do deserto (The Adventures of Priscilla, Queen of the Desert, 1994) é uma comédia musical produzida na Austrália e dirigida por Stephen Elliott. Considerado um clássico LGBT, o filme traz Terence Stamp, Hugo Weaving e Guy Pearce interpretando duas drag queens e uma transsexual. Elas viajam a bordo de um ônibus em direção à Alice Springs, um local turístico no deserto australiano. Esse road movie retrata de forma irônica, e até mesmo subversiva, complexas camadas do mundo LGBT e de artistas performáticos, unindo excentricidade e diversão com conteúdo dramático.

Madame Satã (2002) é uma cinebiografia brasileira, lançada em 2002, que conta a história real de João Francisco dos Santos (Lázaro Ramos). Apelidado de Madame Satã, João foi um transformista que viveu no Rio Janeiro no começo dos anos 30. Além de retratar a história dessa figura polêmica, o filme representante bem aspectos da vida marginal carioca da primeira metade do século XX.

Madame Satã. Fonte: divulgação

Imagine Eu e Você (2005) é comédia romântica britânica-alemã que conta a história de Rachel. No dia do seu casamento, ela conhece a florista Luce e surge uma forte atração entre elas. É um filme sobre descobertas. Estrelado por Piper Perabo, Matthew Goode e Lena Headey. A direção é de Ol Parker, que também dirigiu o musical Mamma Mia.

Moonlight (2016) é um drama e vencedor do Oscar de melhor filme, estrelado pelo sempre fantástico Mahershala Ali. O filme apresenta três etapas na vida de Chiron, personagem principal, e mostra as dificuldades que ele enfrenta enquanto reconhece sua própria identidade e sexualidade. É o filme que narra o autoconhecimento com extrema sutileza.

Moonlight. Fonte: divulgação

Elisa e Marcela (2019) é um drama biográfico espanhol e narra a história do primeiro casamento homossexual realizado pela Igreja. O evento aconteceu em 8 de junho de 1901, quando duas professoras, Marcela Gracia Ibeas e Elisa Sánchez Loriga, se casaram na paróquia de Dumbría. É daquelas histórias tão fascinantes que nem parecem reais.

Girl (2018) é um filme biográfico belga dirigido por Lukas Dhont. Conta a história de Lara, uma garota transgênero de 15 anos que estuda numa das mais conceituadas academias de dança da Bélgica. Tanta disciplina acaba por dificultar o desejo de Lara de fazer a cirurgia de redesignação sexual.

Carol (2015) é um filme dirigido por Todd Haynes, conhecido por ser uma dos percursores do “New Queer Cinema”, e baseado no livro “The Price of Salt”, de Patricia Highsmith (1952) – temos a versão traduzida pela LPM. Therese Belive, interpretada por Rooney Mara, estava em sua rotina entediante de trabalho em uma loja de departamentos até conhecer Carol, representada nas telas pela Cate Blanchett. Logo o laço amoroso entra ambas se fortalece e fatos se desenrolam a partir disso. Foram seis indicações ao Oscar, incluindo melhor atriz (Cate Blanchett) e melhor atriz coadjuvante (Rooney Mara).

Séries e documentários sobre o universo LGBTQIA+

The L Word (2004-2009) é uma série americana que mostra a vida de um grupo de amigas lésbicas e bissexuais na cidade de Los Angeles, Califórnia. É uma referência quando se trata de série LGBTQIA+ – inclusive ganhou uma sequência, The L Word: Generation Q, que estreou em dezembro de 2019.

The L Word. Fonte: divulgação

Pose (2018 até o momento) é uma série que acompanha a protagonista Bianca, uma mulher trans que decide abrigar jovens homossexuais e transexuais desabrigados e passa a organizar bailes LGBT. Mas a história vai além disse e traça um retrato da cena LGBT em Nova York nos anos 80.

Laerte-se (2017) é um documentário nacional que conta um pouco sobre a história da cartunista Laerte, uma das mais reconhecida do país. Mas aqui o foco é o momento em que decide revelar a sua identidade de mulher trans após quase 60 anos se identificando como homem. O doc tem um roteiro sensível e muito bem escrito pela jornalista Eliane Brum.

Laerte-se. Fonte: divulgação

Realitys

A Netflix tem duas opções excelentes de reality shows sobre o universo LGBTQIA+ para maratonar. Começando com a RuPaul’s Drag Race, um concurso de drag queen para colorir sua tela e apresentado pela mais famosa drag do mundo, a RuPaul.

Leia mais: O arco-íris como símbolo LGBTQIA+

Também vale conferir a Queer Eye, outro reality para deixar o coração quentinho. Antoni Porowski, especialista em comida e vinho + Tan France, especialista em moda + Karamo Brown, especialista em cultura + Bobby Berk, especialista em design + Jonathan Van Ness, especialista em cuidados pessoais: o Fab Five que ajuda pessoas a transformar a própria vida de um jeito glamouroso e emocionante.

Literatura

A literatura do universo LGBTQIA+ é vasta, mas podemos destacar nomes importantes que, inclusive, são referência ao universo literário. Caio Fernando Abreu é um dos grandes escritores nacionais e, em sua obra, criou personagens complexos e fora da caixa. Vale conferir essa coletânea de contos de um dos símbolos da contracultura.

Caio Fernando Abreu. Fonte: divulgação

João Silvério Trevisan é um dos símbolos da comunidade LGBTQIA+. Além de escritor, é um ativista conhecido e se postou como homossexual em plena ditadura, com o AI-5 em pleno vapor – ele teve de ir para a Califórnia para escapar da repressão.

Também vale destacar a poeta inesquecível Ana Cristina César, ícone da geração mimeógrafo, movimento composto por autores que, no auge da ditadura, escreviam, editavam e publicavam os próprios livros. A sexualidade e o prazer feminino são sempre abordados de maneira lírica em seus versos. Uma indicação é seu livro “A teus pés”, o último publicado por ela.

A poeta Ana Cristina César. Fonte: divulgação

Saindo um pouco do Brasil, impossível não citar Middlesex, de Jeffrey Eugenides, um livro narrado por uma personagem intersexual e vencedor do Pulitzer em 2003. E, para finalizar, leia Judith Butler. É a grande teórica sobre gênero e fundadora de conceitos como a performance da feminilidade e da teoria queer. Ambas estão presentes em um de seus principais livros, “Problemas de gênero“. Veja mais algumas dicas interessantes nesta lista da editora Companhia das Letras e, claro, continue nesse caminho de explorar o universo da cultura LGBTQIA+. Conhecimento e empatia nos permitem ver e aceitar o mundo em todas as suas formas.